Primeiro BLH da Bolívia e o trabalho para que a mulher exerça o direito de alimentar seu bebê

Nutricionista do BLH do Hospital da Mulher de La Paz conta como informação, comunicação e empatia estão sendo fundamentais para o aleitamento materno durante a pandemia 

O enfrentamento à pandemia de Covid-19 foi e está sendo um desafio para os Bancos de Leite Humano do Brasil e do mundo. Na Bolívia, o primeiro BLH do País, localizado no Hospital da Mulher de La Paz, fez do vínculo entre profissionais e mães a principal estratégia para continuar a promover, apoiar e incentivar o aleitamento materno.  

Os tempos de distanciamento social trouxeram a necessidade de repensar e buscar novas estratégias para os serviços oferecidos nos BLHs para garantir a assistência a mães, prematuros e recém-nascidos de baixo peso. Em La Paz, a nutricionista Ledy Jhobana Paco Quibert conta que a comunicação foi fundamental para superar o medo da pandemia e ter a confiança de familiares e profissionais nas medidas de biossegurança utilizadas.

“Se há muita comunicação, muita informação, e, sobretudo, um acompanhamento com as mães, se torna possível salvar a lactância. Chegar às mães e dizer que elas podem exercer esse direito de alimentar seus bebês”, disse Jhobana. O contato próximo com as mães, segundo ela, requer desenvolver a empatia e domínio técnico sobre o tema. “Vou com segurança, com a certeza de que estou indo falar sobre o que realmente vai abrir oportunidades para essa mãe ficar logo com seu bebê ou salvar a lactância de uma mãe com problemas de amamentação”.

A disseminação de informações sobre os cuidados com higiene e biossegurança também são um pilar dessa relação, dos cuidados com a amamentação aos frascos de vidro à rotina de extração de leite materno em casa. “Quanto mais segurança você transmite, mais facilmente as mães se conectam. A informação oportuna salva muitas lactâncias. Sem dúvida alguma, as ferramentas que ajudam a nutrir o BLH são as próprias mães”, ressaltou a nutricionista.

Desde o início da pandemia, o principal impacto enfrentado foi o encurtamento do período de internação das mães, reduzindo assim o tempo de contato presencial com a equipe do BLH e de apoio inicial à lactação. Nesse mesmo período, Jhobana participou da elaboração de um guia de emergência sobre lactância e Covid-19. Com embasamento técnico e científico, deu-se início a um movimento para dar continuidade aos atendimentos, informar, conquistar a confiança das mães e apoiar o aleitamento materno.

“Em tempos de pandemia e distanciamento social, o que está nos fortalecendo são os grupos de aconselhamento. Estamos lançando mão de diferentes meios, como videochamadas e grupos de WhatsApp”, explicou. Esses grupos foram crescendo ao longo da pandemia, chegando a envolver 80 mães. De acordo com Jhobana, essa tem sido uma forma de fortalecer o vínculo com as mães, que seguem convencidas de que o BLH promove, apoia e fomenta a lactância, mesmo em tempos de pandemia.

Na maternidade, o trabalho com colostroterapia, extração de leite materno e relactação tem sido fundamental para assistir aos bebês internados. O local também atende mães com Covid-19 e a atuação conjunta com as demais equipes profissionais forma uma rede de apoio às mães. “Eu vou trabalhando a lactância nas mães que estão hospitalizadas. Quando elas têm alta, eu sigo acompanhando”.

Os grupos virtuais ajudam na comunicação com essas mães, que extraem de casa e levam para doar a seus bebês. “As mesmas mães que precisaram do BLH se convertem em doadoras. Apoiam, doam, incentivam outras mães. Deixam seu leite aqui porque sabem que outro bebê pode utilizá-lo”.

A pandemia proporcionou às mães ficarem mais em casa e amamentarem mais, produzindo assim mais leite e estocando o excedente. Para coletar as doações nas residências, o BLH contou com a parceria da Liga de la Leche Materna de Bolívia, que foi uma aliança estratégica para que o leite materno doado chegasse aos recém-nascidos que precisam.

Criar ambientes mais amigáveis ao aleitamento materno é fundamental. La Paz tem o primeiro BLH da Bolívia e a nutricionista quer levar a experiência de promoção ao aleitamento materno para as demais maternidades do País.

“Quando me capacitei na Fiocruz, me comprometi com o aleitamento materno. É mais do que um alimento. Eu estou bem convencida disso como mãe, como profissional de saúde e como uma pessoa da sociedade civil. Há um grande compromisso em trabalhar por bebês com uma qualidade de vida alta e oportunidade. O BLH não existiria se não fossem as muitas mães convencidíssimas de que é algo incrível”, finalizou Jhobana.

Galeria de fotos do BLH do Hospital da Mulher de La Paz 
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Mães amamentando e doando seu leite

Ledy Jhobana exibe o freezer cheio de leite materno coletado e despede-se dos bebês que receberam alta e vão para casa com suas mães

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