Novembro Roxo – Espírito Santo realiza o I Ciclo de Debates sobre Prematuridade

“Doação do leite materno: cuidado solidário ao prematuro” trouxe a experiência do BLH Hucam na promoção do aleitamento materno

A celebração do Novembro Roxo pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam) / Universidade Federal do Espírito Santos abordou ontem (18) a importância dos Bancos de Leite Humano (BLH) para a saúde do prematuro. Mônica Barros de Pontes, professora na UFES e coordenadora do BLH Hucam, apresentou o trabalho desenvolvido pela doação de leite materno e a saúde do prematuro.

“Está mais do que comprovado que o aleitamento materno é um dos grandes fatores para melhorar as condições de crescimento e desenvolvimento de uma criança”, explicou a coordenadora. Segundo ela, além dos benefícios nutricionais do leite materno, a amamentação também possui influência no desenvolvimento intelectual e “reduz o que nós temos de maior problema na saúde pública, que é a obesidade”.

Na webpalestra “Doação de leite materno: cuidado solidário ao prematuro”, a coordenadora mostrou o grande alcance dos BLHs, que perpassa o uso clínico do leite humano para o prematuro ao trabalho de orientação, o suporte e a promoção ao aleitamento materno e a doação de leite humano. Mônica ressaltou a importância de uma atuação multidisciplinar e multisetorial para que a amamentação não só seja possível, mas também tenha maiores taxas. “A amamentação é uma necessidade coletiva, não é só uma responsabilidade da mulher”, esclareceu.

Essa coletividade envolve mãe, família, profissionais de saúde, da família, governos e sociedade; uma responsabilidade conjunta e compartilhada; e é fundamental para superar os principais obstáculos à amamentação: cultura, falta de apoio e práticas inadequadas. Segundo ela, “desconhecimento e a falta de conscientização da família, da comunidade, dos profissionais e dos gestores são as principais causas de desmame precoce na nossa região”.

O papel dos BLHs nesse cenário é diverso. Além de coletar, processar e distribuir o leite humano com rigor técnico de qualidade; dá suporte às mães prematuras para que elas consigam produzir leite, e este leite seja ofertado a seu bebê a partir do momento que iniciar a dieta, e fornece orientação e apoio à amamentação e à manutenção da amamentação.  

As intervenções de apoio estão associadas ao aumento das taxas de aleitamento materno e aleitamento materno exclusivo. “O apoio oferecido gera vínculo. A partir do momento que esse vínculo é formado, a chance dessa mãe amamentar fica maior”, disse. A professora acrescentou que a rede de apoio emocional pode estimular a produção do leite.

A rBLH é responsável por dar suporte de leite humano às UTIs neonatais. “É uma estratégia muito forte no Ministério da Saúde e na Política Nacional de Aleitamento Materno”, disse Mônica, acrescentando que a conscientização sobre amamentação e doação de leite humano começa antes mesmo do parto, nas consultas de pré-natal, na Atenção Primária à Saúde e ações nas próprias maternidades e hospitais.

O prematuro e o aleitamento materno

No Brasil, em 2019, nasceram mais de 300 mil prematuros, sendo cerca de 120 mil na região sudeste e cinco mil no Espírito Santo. Segundo a pediatra neonatologista, tutora do Método Canguru e consultora em aleitamento materno no Hucam, Priscyla Ferreira Pequeno Leite, os benefícios já conhecidos do aleitamento materno são ainda mais especiais no prematuro, pois o leite “é feito exclusivamente para a fase em que este bebê nasceu. Cada mãe prematura produz o leite que o seu bebê prematuro precisa”, explicou.

A médica apresentou a webpalestra “O aleitamento materno no cuidado do bebê prematuro”. Segundo ela, o leite materno contém componentes com mais energia, lipídios, proteínas e imunomoduladores; fatores importantes para a defesa do bebê, de seu desenvolvimento e com influência na saúde ao longo da vida.

O Ministério da Saúde preconiza uma tríade para ampliar e favorecer o aleitamento materno do bebê prematuro, que são: maternidade cadastrada como Hospital Amigo da Criança, que tenha um Banco de Leite Humano em sua estrutura, cumpra os 10 Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno e desenvolva o Método Canguru.

Ela explicou que é importante a criação de estratégias para conseguir que a mãe prematura acredite no seu potencial e inicie a produção de leite no tempo adequado. Para isso, é necessário dar orientação, suporte e apoio; acolher essa mãe e a família. Informação, acolhimento e empatia são ferramentas para aumentar as taxas de amamentação.

O Método Canguru traz essa humanização na atenção à mãe prematura e seu bebê, com benefícios na criação de vínculos, na extração do leite para o prematuro e posterior amamentação. “O contato pele a pele precoce faz parte da proteção desse bebê, mas também da promoção do aleitamento materno. Existem inúmeros trabalhos na literatura que apontam que mãe que faz posição canguru produz mais leite”, acrescentou Priscyla.

Confira a programação completa para o Novembro Roxo: