Argentina - Na província de Neuquén, a doação de leite humano superou a Covid e salvou vidas

Houve um aumento significativo na doação e pasteurização de leite humano. Este ano, mais de 200 mães se juntaram como doadoras

Apesar do contexto de pandemia de coronavírus, o Banco de Leite Humano (BLH) de Neuquén atingiu recorde histórico na produção de leite humano pasteurizado desde o início de suas atividades, há cinco anos. Neste ano, o volume de leite humano pasteurizado atingiu 487,5 litros, registrando um aumento considerável em relação ao ano passado, que foi de 415,6 litros. Por outro lado, 1.605 mães já doaram o seu leite ao Banco de Leite Humano da província. Deve-se notar que em junho do ano passado havia 1.400 mães doadoras na província.

“O ano de 2020 nos propôs um desafio no contexto da Covid-19, mas os resultados alcançados refletem que cumprimos nossa missão, superando todos os recordes de produção desde a inauguração do Banco de Leite em meados de 2016”, disse ao LMNeuquéna  pediatra e chefe do BLH, Alejandra Buiarevich.

O BLH é um centro especializado e receptor de leite de mães doadoras por meio dos 39 centros de coleta de amamentação que funcionam em unidades de saúde públicas e privadas e outras organizações comunitárias em toda a província. Após a pasteurização do leite doado, ele é armazenado no estoque do Banco e encaminhado para hospitais (Cutral Co-Plaza Huincul, Zapala, Chos Malal, Castro Rendón, Heller) e clínicas (Pasteur e San Lucas) conforme a necessidade de cada recém-nascido internado. Neste ano, foram incorporados outros dois centros de coleta nos hospitais Aluminé e Senillosa.

Buiarevich explicou que, a partir do volume coletado, foram realizados 98 processos. O leite humano pasteurizado foi distribuído a todas as terapias neonatais intensivas e intermediárias que o solicitaram.

“Não foi registrada nenhuma situação em que não se tenha dado resposta à demanda e foi possível manter um estoque de 40 litros disponível para situações excepcionais que possam ocorrer”, explica a especialista. O leite humano pasteurizado é uma ferramenta fundamental para alimentar os recém-nascidos em risco de vida, já que diminui o tempo de internação, favorece a recuperação e fortalece o sistema imunológico.

Segundo o relatório estatístico deste ano, o principal receptor do leite humano pasteurizado foi o Hospital Castro Rendón, onde o maior número de prematuros extremos recebe assistência. Mas também se pode observar um crescimento importante da utilização em outros centros assistenciais da província, como o caso das clínicas de San Lucas e Pasteur; Policlínica de Neuquén e Hospital Heller. “O conjunto de terapias neonatais do subsetor privado recebeu 49,3% da produção total e as terapias intermediárias e intensivas do interior da província receberam 17,9%”, indica o relatório.

Buiarevich destacou que em plano isolamento devido à pandemia, protocolos de segurança foram aplicados para visitar as mães doadoras em suas casas e também em locais com condições climáticas adversas e áreas remotas. “Pensávamos que, por efeito da pandemia, a doação diminuiria, mas, pelo contrário, as mães entenderam que, sendo solidárias, podem salvar a vida de crianças em risco. Acho que foi fruto da educação e do ensino que mães que podiam alimentar seus filhos podem doar leite solidariamente para salvar a vida de outras crianças”, explicou.

Fonte: ML Neuquén