Doação de leite humano

Mamas cheias a ponto de a mãe sentir desconforto entre as mamadas em alguns casos. A produção excessiva de leite materno está entre os relatos mais frequentes das doadoras de leite humano, mães que optam por ajudar a salvar vidas com o leite não consumido pelo seu bebê.

No entanto, não é necessário ter uma produção demasiada de leite para se tornar doadora e não existe quantidade mínima para a doação. É importante lembrar que um litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. A depender do peso do prematuro, um (1) ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.

Além disso, a produção de leite humano obedece à lei da demanda, ou seja, quanto mais leite é retirado (para doação ou sugado pelo seu bebê), mais leite é produzido.

Como funciona exatamente a doação de leite humano?

A doação de leite humano passa pelo processo de coleta, processamento e distribuição do leite humano para bebês prematuros internados de baixo peso (menos de 2,5 kg) e com patologias, principalmente do trato gastrointestinal, e que não podem ser alimentados diretamente pelas próprias mães.

As evidências científicas indicam que bebês prematuros e/ou com patologias que se alimentam de leite humano no período de privação da amamentação possuem mais chances de recuperação e de terem uma vida mais saudável. Com o leite materno, o bebê prematuro ganha peso mais rápido, se desenvolve com mais saúde e fica protegido de infecções.

Todo o leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança, conforme rege a legislação que regulamenta o funcionamento dos bancos de leite humano no Brasil, a RDC Nº 171. Após análises das suas características, o leite é distribuído de acordo com as necessidades específicas de cada recém-nascido internado.

O modelo brasileiro para Bancos de Leite Humano (BLH) é referência internacional e, desde 2005, o país exporta técnicas de baixo custo para implementar BLHs na América Latina, Caribe Hispânico, África, Península Ibérica e outros países.

Quem pode ser doadora de leite humano?

Algumas mulheres quando estão amamentando produzem um volume de leite além da necessidade do bebê, o que possibilita que sejam doadoras de um banco de leite humano. De acordo com a legislação RDC Nº 171, além de apresentar excesso de leite, a doadora deve ser saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente a um banco de leite humano.

Se você quer doar seu leite, entre em contato com um banco de leite humano. Clique aqui e encontre o mais próximo de você. 

Como coletar o leite humano para doação?

Atualmente, 30% do leite humano são perdidos no processo de doação, entre a coleta e o recebimento pelo recém-nascido. Para evitar perdas, é necessário seguir corretamente o passo a passo da doação. Confira!

Como fazer para receber a visita do BLH na sua casa?

O primeiro passo para ser atendida pela equipe de coleta é entrar em contato com o BLH mais próximo por telefone. Você receberá todas as orientações necessárias para a coleta e armazenamento do leite humano ordenhado, além de realizar um cadastro de doadora do BLH. Por isso, antes de contatá-los, tenha em mãos os últimos exames realizados no seu pré-natal.

Após o contato telefônico com o BLH, um médico avaliará os seus dados e, uma vez considerada apta como doadora, a equipe entrará em contato com você sempre na véspera da visita. A cidade é dividida em zonas que serão visitadas ao menos uma vez por semana. A cada visita, a doadora receberá novos frascos esterilizados vazios e entregará a sua doação de leite.

Todo transporte é realizado em caixas isotérmicas e com gelo reciclável e controle de temperatura, mantendo assim a qualidade do seu leite.

O banco faz um cadastro da doadora com seus dados pessoais, informações sobre pré-natal e sobre o hábito de vida da doadora. Antes de começar a doar, a nutriz aprende como coletar o leite e recebe materiais como gorro, máscara, etiquetas e frascos de vidro esterilizados com tampa plástica.

O perigo da Amamentação Cruzada

Muitas mulheres com leite excedente optam por doar diretamente para outro bebê, cuja mãe apresente alguma dificuldade com o aleitamento. No entanto, essa prática, bastante disseminada pelas amas-de-leite no passado não é recomendada. Contraindicado formalmente pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação cruzada, como é conhecida a prática, traz diversos riscos ao bebê, podendo transmitir doenças infectocontagiosas, sendo a mais grave o HIV/Aids.

Caso você conheça alguma mãe que não consiga amamentar, ajude-a a pedir orientação ao médico ou na unidade onde o bebê nasceu. Os BLHs também oferecem consultam, orientação e apoio a lactantes e podem auxiliá-las, inclusive, a retomar a amamentação, caso tenha sido interrompida.

Já a mãe com leite excedente pode doá-lo ao BLH. A diferença fundamental para a amamentação cruzada é que, no banco de leite humano, o leite doado passará por um processo de seleção e classificação, sendo pasteurizado e, por fim, sofrerá um controle de qualidade microbiológico. Deste modo, garante a isenção de qualquer possibilidade de transmissão de doenças e oferece ao bebê receptor um leite de qualidade certificada e segurança alimentar e nutricional.

A mãe não deve amamentar outra criança e nem permitir que o filho seja amamentado por outra mulher. Mesmo se esta mãe for sua irmã, prima, mãe ou amiga, e estiver com os exames normais ou histórico de uma gravidez tranquila, ela pode estar em uma janela imunológica. Dessa forma, o bebê corre risco de contrair alguma doença. Além da possibilidade de acontecer o mesmo, ao revés, o bebê pode passar alguma doença para esta doadora.

Depoimentos de mães doadoras

“Decidi fazer parte da rede de mães que doam leite para o IFF depois de perceber o quão importante é esse Instituto. Tanto no Banco de Leite para os bebês, como no auxílio às novas mães com dificuldade nessa importante tarefa”. (Alejandra Mendez Vargas)