Em situações especiais

Prematuridade

O bebê prematuro é aquele que nasceu antes de completar 37 semanas de gestação. O leite materno oferecido exclusivamente para os prematuros diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças específicas, que só ocorrem nessa fase da vida do bebê, como também existe menor índice de reinternação.

Geralmente, o bebê prematuro permanece algum tempo internado até ganhar peso para poder ir para casa (a partir de 1.800g). Nas internações, eles precisam de cuidados especializados, realizados por profissionais de saúde, o que pode fazer com que os pais tenham dificuldade de iniciar uma aproximação. No entanto, essa interação entre os pais e o bebê é muito importante para crescimento e desenvolvimento do prematuro e, portanto, garantida por lei. Confira aqui a Portaria GM nº1153, de 22 de maio de 2014.

Para facilitar a interação, os pais podem falar com o bebê antes de tocá-lo. A voz suave da mãe o acalma e seu toque carinhoso lhe dá segurança e tranquilidade. Realizar o contato pele a pele, amamentar e fazer o método canguru auxiliam bastante na recuperação do peso do bebê, bem como proporcionam seu desenvolvimento. O contato pele a pele com o bebê também mantém a temperatura corporal, auxiliando na função pulmonar e cardíaca.

Colocar o bebê em posição canguru consiste em mantê-lo com o mínimo de roupa possível, para favorecer o contato pele a pele com a mãe ou com o pai, que devem, portanto, estar com o tórax descoberto. Recomenda-se, para o bebê, apenas o uso de fraldas. Em regiões mais frias, podem também ser utilizados meias e gorro. O bebê é colocado contra o peito, coração com coração.

O prematuro é um bebê sonolento, que precisa ser acordado e estimulado nos horários das mamadas. Inicialmente, se houver muita dificuldade para sugar, a mãe deve ordenhar o seu leite e oferecer a ele em um copinho. O bebê tomará facilmente, sendo possível logo sugar o peito (a mãe sempre deve oferecer o peito antes do copinho para ver se ele consegue sugar).

Não é recomendado oferecer o leite em mamadeira, pois o bebê se acostuma ao bico que lhe é oferecido por maior número de vezes. Ele se habitua com a forma, consistência, textura e elasticidade do bico de borracha e também com a maneira de como mamar nele. Para evitar confusão de bicos, é importante oferecer apenas o seio, pois facilitará o aleitamento materno.

Quando o bebê mama no peito, realiza uma ordenha (que é bom, pois trabalha toda a musculatura facial do bebê). Na mamadeira, ao contrário, ele chupa o leite como chupamos um canudinho, não usando adequadamente os músculos faciais, podendo apresentar mais tarde, problemas dentários, respiratórios e de linguagem.

Cuidados para utilizar o copinho:

1 - Lave as mãos antes de oferecer leite no copinho para o bebê;

2 - Observe a temperatura do leite (se não for o leite da mãe retirado no mesmo momento);

3 - Coloque o bebê em posição semi-sentada;

4 - Apoie a borda do copo no lábio inferior do bebê para evitar que ele empurre o copo para fora com a língua;

5 - Espere que o bebê sorva o leite e não o obrigue a engolir.

A frequência das mamadas vai depender de quantas vezes ele solicita o peito, tanto de dia como de noite (livre demanda), variando de oito a 12 vezes ao dia. Quando o prematuro dorme muito (por períodos maiores de três horas) é necessário que o acorde para mamar. À medida que crescem, os bebês vão se acomodando a um ritmo próprio de frequência e duração da mamada.

Baixo Peso

 É considerado bebê de baixo peso aquele que nasce com peso menor que 2.500g, após 37 ou mais semanas de gestação.  As mesmas recomendações de aleitamento materno para o bebê prematuro valem para o bebê de baixo peso. A diferença é que o bebê de baixo peso, geralmente, não é tão sonolento e é mais ativo e ávido por mamar. Realizar o método canguru e amamentá-lo sempre que possível fará com que seu bebê recupere mais rapidamente o peso.

Fissura labial (fenda palatina ou lábio leporino)

As fissuras labiopalatinas, conhecidas também como fenda palatina ou lábio leporino, são malformações congênitas que ocorrem no início da gestação, devido à falta de fusão dos processos maxilar e médio nasal, que ocorre por motivos diversos.

Logo após o nascimento, conforme as condições clínicas permitirem, o bebê com fissura deve ser alimentado com leite materno, seja por meio de sonda, no peito ou copinho. O alto valor nutritivo e qualidades imunológicas do leite materno auxiliam no combate às infecções, como as de orelha média, muito comum nesses bebês.

É importante destacar que o bebê fissurado tem possibilidade de ser amamentado. Muitos nascem vigorosos e conseguem fazer boa pega ao seio materno na posição de cavaleiro ou verticalizado ao colo, com suporte manual de mandíbula, para proporcionar um bom vedamento labial.

Outros bebês apresentam dificuldades no vedamento labial, na estabilização da mandíbula ou mantêm a língua posteriorizada na cavidade oral, podendo apresentar tempo mais prolongado nas mamadas. As dificuldades variam de acordo com a complexidade da malformação. Esses bebês necessitam de acompanhamento fonoaudiológico para preparar as estruturas orofaciais para o processo de alimentação e mais tarde da comunicação.

A técnica da mama esvaziada no início do treino de sucção contribui para adaptar o bebê ao fluxo e à coordenação da sucção, respiração e deglutição. A postura elevada ao colo ou na posição de cavaleiro favorece a anteriorização de língua e a estabilização da mandíbula.

Sabe-se que a sucção é um reflexo experimentado intraútero pelo feto, que vai capacitar a musculatura orofacial. No bebê com fissura labial este mecanismo também está presente. Portanto, tem condições de se adaptar às estruturas anatômicas, desde que os pais recebam orientações adequadas. Por isso, ao receber o diagnóstico do bebê, procure ajuda em um banco de leite humano.

O aleitamento materno NÃO é contraindicado no caso de fissuras labiais. Ele deve ser estimulado e avaliado pelos profissionais de saúde de um banco de leite humano.

A orientação precoce à família, iniciada na maternidade por uma equipe multidisciplinar, tem papel decisivo para o estabelecimento do aleitamento materno, assegurando um bom desenvolvimento do bebê e proporcionando segurança e apoio aos familiares.

Amamentação Adotiva

 A produção do leite materno se dá por ação hormonal e estímulo de sucção do bebê. Entretanto, estudos relatam que mesmo mães não biológicas (adotivas), se forem estimuladas, poderão produzir leite e amamentar seus bebês por meio da técnica da lactação induzida.

Uma mulher pode amamentar um bebê mesmo que ele não tenha sido gerado por ela. Por outro lado, pelo menos metade das mulheres que tentam dar de mamar a um filho adotivo precisam complementar a alimentação com fórmula ou outros alimentos. 

Vale lembrar que o que mais determina a produção de leite é o estímulo do bebê ao sugar o seio. No entanto, os hormônios que o organismo produz durante a gravidez ajudam a preparar o corpo da mulher para a amamentação e sem eles é mais difícil dar início à produção do leite materno. 

Não é complicado induzir a lactação, isto é, fazer as mamas de uma mulher começarem a produzir leite materno. Mas, no caso de adoção, o que atrapalha é a questão do tempo. A chegada do bebê costuma ser inesperada, por isso, é difícil se preparar com antecedência.O mais garantido é pensar na amamentação como um bônus para você e seu bebê e não como a única fonte de nutrição.

Atenção: o aleitamento cruzado (quando um bebê é amamentado por uma “mãe de leite”) é uma prática não recomendável, visto que, por meio do leite materno, as crianças podem ser contaminadas por doenças transmissíveis como, por exemplo, pelo vírus da AIDS, e os bebês também podem transmitir para a mulher que o amamenta.No caso de lactentes de mulheres, portadoras do vírus HIV, o programa de prevenção e controle da transmissão materno-infantil do HIV recomenda a utilização de fórmulas artificiais de leite.

 

Síndrome de Down

Síndrome de Down é uma condição humana geneticamente determinada, provocada por uma alteração cromossômica denominada Trissomia do 21. Esta síndrome é a maior causa de deficiência intelectual na população, sendo a mais comum em seres humanos. Para cada 600 a 800 nascimentos no Brasil, um bebê nasce com a Síndrome de Down, independentemente da etnia, gênero ou classe social.

Os bebês com Síndrome de Down são hipotônicos (a hipotonia altera o desenvolvimento da criança, atrasando a aquisição das competências motoras como sustentação da cabeça, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, andar e correr). No entanto, eles podem e devem ser amamentados como qualquer bebê, podendo necessitar de uma posição diferenciada como, por exemplo, a posição invertida ou a posição de cavaleiro.

Além dos benefícios já conhecidos para todas as crianças, o aleitamento materno irá proteger os bebês com a síndrome das infecções que eles são mais suscetíveis e auxiliar no desenvolvimento da criança.

Posição da amamentação:

A estimulação global deve ter seu início tão logo que a saúde da criança permita e o aleitamento materno é o primeiro estímulo. O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento segue as curvas específicas de desenvolvimento de 0 a 2 anos (veja abaixo). Vale destacar que essas crianças precisarão de acompanhamento multiprofissional com pediatras, neurologistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, enfermeiro, entre outros.

Confira as Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down do Ministério da Saúde.

Curva de Crescimento para meninas 0-24 meses com Síndrome de Down

Curva de Crescimento para meninas 0-24 meses com Síndrome de Down

Bebê internado em Unidade de Terapia Intensiva

O leite materno é o melhor alimento para o bebê internado em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), pois ajuda a evitar infecções, diminui o risco de alergias, como também auxilia na melhor recuperação de muitas doenças. Assim que possível, ele receberá leite processado da própria mãe pelo banco de leite humano e/ou será amamentado.

Fique atento! É de grande importância a participação dos familiares nos cuidados deste bebê. O livre acesso é garantido à mãe e ao pai em quaisquer circunstâncias, independente da Unidade Neonatal e do Risco do Recém-Nascido. Confira a Portaria GM nº1.153 de 22 de maio de 2014.

O que você precisa saber enquanto seu bebê está internado na UTIN?

A nutrição do bebê pode ser:

  • Nutrição Parenteral – quando seu bebê recebe a nutrição através de um acesso venoso (neste momento, ele não pode se alimentar ainda, permanecendo em dieta zero, ou seja, jejum).

  • Nutrição Enteral – quando seu bebê recebe a nutrição pela boca (seio materno e/ou copinho) ou através de uma sonda que caminha direto para estômago, sendo assim, a nutrição enteral faz com que o alimento do bebê passe por todo sistema digestório.

Enquanto ele recebe a nutrição parenteral e permanece em jejum, é importante que você mantenha uma boa produção de leite para amamentar antes e após a alta. Além disso, sempre que possível, e após liberação e supervisão da equipe médica e de enfermagem da UTIN, mantenha o contato pele a pele com seu bebê. Este contato pele a pele ajudará no início da amamentação.

Confira algumas dicas para estimular a produção de leite materno:

  • Depois de visitar/estar com seu bebê na UTIN, encontre um local tranquilo, sente-se confortavelmente, pense em seu bebê e se possível escute uma música relaxante.

  • Neste momento, realize massagens em toda a mama (iniciando pela aréola) em movimentos circulares e tente retirar o leite logo após a massagem que poderá ser realizada a cada três horas (mas não precisa acordar de madrugada para isso). Assim, manterá uma boa produção de leite para seu bebê.

  • Caso o hospital em que seu bebê se encontra internado tenha um banco de leite humano, você poderá procurar apoio e suporte com esta equipe.

  • Caso você retire leite materno, não se esqueça de identificar o frasco com a etiqueta: nome, data e hora da primeira coleta de leite.

  • Armazene o seu leite no congelador (vale lembrar que a validade no congelador é de até 15 dias).

  • Entregue ao banco de leite humano para que possam pasteurizar o leite e enviar para o seu bebê, assim que for prescrito pelo médico.

Quando ele passar para a nutrição enteral, o bebê poderá se alimentar diretamente pela boca (seio materno e/ou copinho) ou através de uma sonda. Se a alimentação for pela boca, o ideal é que você amamente por livre demanda, ou seja, sempre que o bebê demonstrar sinais de fome.

Zika Vírus, Dengue e Chikungunya

A amamentação não deve ser interrompida e nem as doações de leite materno, nos casos de mães diagnosticadas com Zika Vírus, Dengue ou Chikungunya. Ainda que tenham sido encontradas partículas virais no leite materno, não há estudos e testes que atestem a capacidade dessas partículas transmitirem a doença.

A recomendação, tanto do Ministério da Saúde quanto da Organização Mundial de Saúde (OMS), é que as lactantes continuem amamentando. As recomendações também são válidas para as crianças que tiverem nascido com malformações congênitas, como a microcefalia.

Comunicado divulgado pelo BLH-IFF-Fiocruz-Ministério da Saúde

Doenças que contraindicam a amamentação

O Ministério da Saúde recomenda que as mães portadoras dos vírus HTLV-2 e HIV não amamentem. No entanto, o processamento e a pasteurização do leite humano ordenhado (62,5 o C/30 min.), de acordo com a recomendação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), são seguros e possibilitam a inativação das partículas do HIV, tanto na forma livre quanto no interior de células infectadas.

Além disso, a amamentação cruzada (amamentação de outro bebê que não seja o seu filho) é terminantemente contraindicada.